poema de ney matogrosso
- Lucca Gerhardt

- 26 de abr.
- 1 min de leitura
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança.
Cada dia é uma interrogação e em cada projeto, eu crio um depósito de fragmentos só meus. Pouquinho por pouquinho.
É que viver de criação em um mundo que exige produção em massa me coloca em
confronto constante entre Essência e Sobrevivência. É como caminhar com os pés descalços sobre um chão de concreto: às vezes dói, mas às vezes liberta. Tudo é muito sensível. Tudo é muito exposto. Tenho medo, pra ser sincero. Medo de não dar certo. Medo de me perder tentando caber. Medo de não ser o suficiente para o mundo em que vivemos, onde autenticidade é confundida com tendência.
Apesar do medo, há uma força miúda que me empurra, me empurra e empurra… a mesma que me faz esticar uma roupa, sujar as mãos de tinta e confiar que até a incerteza tem beleza. O que eu faço é o meu jeito de existir no mundo.
E mesmo que seja pra ser uma arte fragmentada que, pelo menos, seja com liberdade.

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