nao ha quem fique.
- Lucca Gerhardt

- 26 de abr.
- 1 min de leitura
O mundo sempre pareceu um lugar líquido que me engole, me arrasta, me molda e me desfigura. Tudo em mim é correnteza, é fluxo. Às vezes sou água, outras vezes sou uma pedra sendo alisada pelas dores que voltam em ciclos. Carrego dentro de mim uma visão turva e, ao mesmo tempo, visceral.
Na verdade, tem uma transformação química dentro de mim que faz eu sentir tudo com muita intensidade. Ou amo até me dissolver ou fujo com brutalidade. E no meio disso, ninguém nunca consegue ficar. Não há quem fique. Não existe meio termo quando a minha alma sangra por alguém.
Às vezes me sinto como Ney, do filme Homem com H, sabe? Um ser performático que caminha na corda bamba entre a loucura e a genialidade, entre o excesso e o vazio. A real é que me visto com máscaras para resistir ao mundo, mas sob elas existe um ser totalmente nu, faminto de acolhimento, com fome de ser amado e de pertencer em algum lugar.
Minhas perspectivas são incertas, mas eu quero construir algo só meu, com a alma exposta, com os erros à mostra e com o coração em cada detalhe possível. Não quero ser lembrado por ter seguido os caminhos certos, mas por ter inventado os meus próprios, mesmo que tortos e vergonhosos.
E se, no fim, eu for apenas um rio que ama demais, que destrói quando transborda, que se esconde quando seca, então que ao menos minha maré tenha tocado alguém, mesmo que seja por um segundo.

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